Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 23 de setembro de 2014
Setembro 2014

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Edição - Dezembro 2005

Opinião

Ética, política e sociedade

Muito vem se falando, e não é de agora, da necessidade de ética na política brasileira. Os fatos recentes da política nacional indicam que esta é uma questão que não pode mais ser adiada. É incrível que tenhamos demorado tanto para exigir ética na política.

O importante agora é que a urgência de “moralizar” o cenário político brasileiro não nos leve a separar a necessidade de ética na política da necessidade de ética na sociedade brasileira. É pouco provável que nossos prefeitos, vereadores, deputados e nossos governantes, nossos funcionários públicos tornem-se exemplos de comportamento ético antes que mudanças éticas comecem a ocorrer também na sociedade brasileira em geral. Ao mesmo tempo, figuras públicas idôneas e éticas reforçam os valores éticos da sociedade.

Respeitar uma fila, obedecer o sinal de trânsito, as placas de sinalização, não sonegar impostos, contribuir na comunidade, respeitar e valorizar os serviços públicos, não recorrer aos amigos na hora de resolver problemas nas repartições públicas, não aceitar que nossos filhos colem na escola, não tentar subornar o guarda ao levar uma multa de trânsito... Tudo isto é parte da mesma ética que queremos que os políticos pratiquem. Negar isso é caminhar para uma sociedade baseada na hipocrisia.

As pequenas “corrupções” de nosso dia-a-dia são o adubo das grandes corrupções nacionais. Acabei de chegar de viagem e o taxista, ao me dar o recibo, perguntou que valor eu queria que ele colocasse no papel. Insisti que o valor a ser colocado era o que estava indicado no taxímetro. Não satisfeito, ele perguntou se eu não queria alguns recibos em branco e já assinados para o futuro. Ao nos curvarmos às pequenas tentações cotidianas, vamos adubando a grande árvore, cuja sombra de corrupção vai cobrindo toda sociedade e também a política.

Lutero afirma que não há como “contornar as tentações” e que isso “não se modificará”, pois “temos de suportar as tentações e até estar atolados nelas”; porém, oramos para não sucumbir aos seus apelos, para que não nos “afoguemos nelas”. Assim, a cristã e o cristão, ensina Lutero, estão sempre preparados e à espera do ataque contínuo das tentações. Entre as formas de tentação que lista, Lutero enfatiza a que vem do próprio Satanás, pois seu propósito é “arrancar-nos da fé, do amor e da esperança”.

Não estamos fadados a sucumbir às tentações. Somos pecadores, sim. Mas também somos, pela fé em Cristo, pessoas justas e santas. Somos revestidos de poder para resistir ao mal e somos animados a agir com vigor para transformar o que deve ser transformado.

Oremos para que Satanás não nos prive da esperança que luta, em fé e amor, por uma sociedade mais ética. Oremos também para que a ética na sociedade comece em nosso lar, em nossa comunidade, em nosso local de trabalho e chegue, pelo nosso testemunho ativo, às práticas políticas.

VALÉRIO GUILHERME SCHAPER

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