Sínodos Vale do Itajaí e Norte Catarinense - 18 de setembro de 2014
Setembro 2014

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Edição - Setembro 2003

Geral

A vida do idoso – longevidade e qualidade

Dez por cento da população do Brasil já tem mais de 60 anos. São mais de 15 milhões de idosos no Brasil. A maior parte é de mulheres. Cada vez mais cresce a expectativa de vida entre o povo brasileiro, de maneira especial, na região sul e sudeste.

<div>Os consideráveis ganhos em longevidade devem transformar-se em sentido de vida</div>

O setor econômico está atento a estes dados. Em algumas pequenas cidades do interior, que foram marcadas pelo êxodo rural, os idosos já são a base da economia. Não é propriamente o idoso que interessa, mas a sua condição de consumo. O grande problema da questão econômica é que ela norteia e impõe os seus próprios valores: éticos, morais e até espirituais. Nesta visão, infligida pela economia, o idoso não está sendo valorizado como pessoa, mas como objeto de consumo. As regras neste jogo são as mesmas da economia globalizada. Somente os mais fortes sobreviverão, ou como queiram, terão uma sobrevida.

Com isto, alguns conceitos estão se fortalecendo. É importante viver mais, para ser jovem por mais tempo. O ideal da juventude quer ser perpetuado também na velhice. Esportes radicais, musculação, ginástica, tratamentos de pele, cirurgias plásticas, são algumas das formas supervalorizadas pela mídia e que começam a influenciar o idoso.

Urge uma ampla reflexão e discussão de todos, para que o idoso possa novamente assumir seu papel na sociedade mas com dignidade. A idade não pode ser uma característica excludente. O idoso já descobriu que é difícil lutar contra este sistema. É bem mais fácil se adaptar, mesmo causando-lhe prejuízos quanto a sua dignidade.

[b]Envelhecer de forma saudável[/b]

A ciência, de modo especial, procura desesperadamente respostas para a pergunta: O que faz o ser humano envelhecer? Mas a pergunta que a ciência, bem como toda a sociedade precisa fazer é: o que impede ao ser humano um envelhecimento saudável e com qualidade de vida?

Para que haja um envelhecimento saudável qualitativamente, é preciso ter, em primeiro lugar, consciência da própria existência. Envelhecer de forma saudável e com qualidade, é encontrar respostas para as seguintes perguntas: De onde eu venho? Para onde estou indo? O que eu quero da minha vida? Para que sirvo? O que tenho para oferecer? Estas perguntas são a essência de sentido para a vida.

A velhice é o processo natural de toda vida, para a qual não podemos criar nada, mas agir e reagir sempre. É isto que determina a velhice como sendo saudável e com qualidade ou não.

[b]Apoio da família[/b]

A maior parte dos idosos tem seu apoio na própria família. A família é o espaço da concretização do que é e será a sociedade. Ela representa, em grande parte o laboratório da sociedade do futuro. Quando a família despreza o idoso, o alerta deve ser para a sociedade. É importante lembrar que os pais vivem sempre entre duas famílias. Cada vez mais haverá um número maior de avós e menor de netos. É possível perceber que a família está satisfazendo menos as necessidades básicas do idoso e, cada vez mais, esta tarefa está sendo assumida por instituições.

A família saudável é aquela que convive nas três gerações, integra os avós dentro de seu ambiente. Ali se edificam valores que são transmitidos a todos os familiares pelos avós.
[b]Reflexões sobre trabalho[/b]

Até a época industrial, não havia uma ruptura entre o trabalho e a velhice. Em cada momento da vida, o ser humano sempre tinha algum trabalho a fazer. A industrialização fez do adulto forte e saudável o único com direito ao trabalho. Na fase da velhice, o ser humano tem pouca aptidão física, e seu ritmo é bem mais lento, mas a sua experiência compensa de sobra esta limitação. O idoso é mais assíduo e menos propenso a acidentes do que o jovem. Os idosos estão mais satisfeitos e contentes de poder trabalhar. Com a aposentadoria, o idoso perde seu papel social. É preciso buscar alternativas para este novo modo de vida. São necessários programas de preparação para a aposentadoria. O protestantismo supervaloriza o trabalho e considera o lazer como perda de tempo, falta de virtude e vício.

[b]Aceitação da velhice[/b]

A busca do ser humano pela eterna juventude precisa se converter na busca por qualidade de vida. Todo organismo nasce para morrer. Para a biologia, a inexistência da morte seria o maior fracasso deste mundo. O mundo e tudo o que nele vive estaria doente e limitado. A elasticidade da pele, a flacidez, a falta de músculos, a diminuição da capacidade funcional, não tem relação direta com a qualidade de vida. Envelhecimento não é doença.

[b]Morte[/b]

A partir da segunda guerra entramos na era da modernidade e com ela a morte deixou cada vez mais de estar integrada à vida. Hoje, a morte é o fato mais negativo para a existência humana, é considerado como o maior mal do qual o ser humano é vítima. A pior morte, contudo, vem sendo a morte social, a perda do papel ativo na sociedade, na economia e na comunidade. É preciso encarar a morte com naturalidade. A morte não pode agredir a dignidade do ser humano. Prolongar a vida sem qualidade de vida, é tirar a dignidade. Pessoas religiosas encaram a morte de forma mais tranqüila.

P. Nilson H. Mathies

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