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Edição - Março 2009

Ecumenismo

FÉ E CIÊNCIA: Darwin, um tema para a fé?

<div>Charles Darwin é o autor da teoria da Evolução das Espécies</div>

A teoria da evolução está completando 150 anos de publicação em 24 de novembro.

Desde então, ela tem se movido entre a entusiasmada aceitação e a apaixonada condenação. Para muitos cristãos ela é pano vermelho. Seu autor, Charles Robert Darwin, nasceu há 200 anos, em 12 de fevereiro de 1809. Sua teoria sobre a origem das espécies representava uma ruptura com tudo o que se sabia até então. Por isso mesmo, Darwin temia ser chamado de herege e levou 20 anos para publicá-la.

E seu temor não era infundado. Ele fora estudante de teologia antes de apaixonar-se pelas ciências naturais e deixou de lado a ideia de ser pastor para abraçar a ciência. Até hoje sua teoria é encarada como a mais plausível e nenhum pesquisador ousou contestá-la de modo consistente. Mas, como os cristãos devem se posicionar diante dela?

Origem – Segundo a pesquisa de Darwin, todos os seres vivos se modificam ao longo de milhões de anos, desenvolvendo e adaptando-se ao meio em que vivem ou extinguindo-se. Segundo muitos, é um universo no qual não cabe a ideia do Deus criador.

Tudo começou quando, em 1831, o jovem estudante de medicina embarcou no HMS Beagle, um navio de guerra britânico que iria mapear a costa da América do Sul e estava equipado para pesquisas biológicas. Ele permaneceu a bordo por cinco anos. Em 1832 Darwin se deslumbra com a Amazônia, que o encantou como “uma única, gigantesca, selvagem e desordenada estufa”. Na Argentina, desenterrou ossos de animais extintos, que o inquietavam com a pergunta: “Por que essas espécies desapareceram e outras sobreviveram?”.

Em setembro de 1835 o Beagle rumou para Galapagos, onde Darwin fez pesquisas extraordinárias, a ponto de a tripulação apelidá-lo de “pegador de moscas”. Ao final da viagem ele havia catalogado 3.907 ossos, bicos e peles, e levado a bordo 1.529 animais conservados em álcool. Entre eles também estava um pássaro mais tarde chamado de tentilhão de Darwin. Em 1836, Darwin iniciou uma exaustiva pesquisa com esse material. O ornitólogo John Gould foi de grande ajuda, ao constatar que todos os pássaros coletados eram tentilhões que se diferenciavam apenas pelo formato do bico.

Bomba – Darwin fica confuso. Se todas as espécies criadas por Deus são imutáveis, por que esses tentilhões se diferenciavam tanto no formato dos bicos? Eles teriam se adaptado ao alimento disponível em cada ilha? Como podia que os tentilhões comedores de sementes tinham bicos curtos e fortes e os comedores de insetos os tinham longos, para arrancá-los das tocas? Darwin não podia acreditar que Deus criou um tipo de tentilhão para cada ilha. Eles tinham que ter a mesma origem. Assim, nascia a teoria da evolução das espécies.

Em suas anotações de 1837, Darwin desenha uma árvore genealógica da vida, na qual as espécies se bifurcam cada vez mais, desenvolvendo-se ou extinguindo-se. As de melhor adaptação sobrevivem e as outras desaparecem. “Ao concluir que uma espécie pode transformar-se em outra, todo o prédio balançou e desabou”, anotou ele. Assim, acabava de descobrir que sua teoria se choca com aquela defendida pela igreja.

Darwin guarda segredo de suas ideias blasfemas. Ele teme a reação da igreja e quer preservar sua fervorosa família. Mas anuncia que, ao contrário do que se acreditava, a terra não fora criada há poucos milhares de anos, mas há milhões de anos. Especial segredo ele guardou da teoria de que o homem descende do macaco.

O jovem naturalista Alfred Wallace, admirador de Darwin, chegara a conclusões semelhantes e decidiu publicar tudo em 1858, não sem antes alertar o velho mestre. Em poucos dias, Darwin escreve um sumário de suas pesquisas de duas décadas e publicou a Teoria da Evolução. “Certamente vão querer me crucificar vivo”, disse.

m ano depois, seu livro “Origem das Espécies” causa grande rebuliço. Darwin é chamado de herege e desenhado como macaco nos jornais. Inicia uma batalha de mais de um século entre ciência e igreja, não concluída até hoje. Nos EUA quase a metade da população é adepta do criacionismo, teoria que defende a criação da espécie humana há dez mil anos.

Herege? – Ainda hoje sua teoria é vista por muitos como avançada demais para ser aceita. Entretanto, sua pesquisa não contradiz a Bíblia ou confronta a ideia de Deus criador. Antes, enriquece-a e a complementa. O papel da teologia é fundamentar a confissão de que Deus criou todas as coisas e não se ocupa da descrição de como isso aconteceu. Por isso, é possível ver na teoria da evolução das espécies a presença permanente do ato criador de Deus ao longo de milhões de anos.

Milhões de anos? Sim, porque a teoria de que somente seis mil anos nos separam de Adão não encontra mais fundamento científico algum. A paleontologia descobre cada vez mais evidências da presença humana há mais de 200 mil anos, enquanto se sabe que os dinossauros viveram na terra há milhões de anos.

A Bíblia é o livro da fé e não um compêndio de ciências naturais. Gênesis foi escrito há 3,8 mil anos, sem que seu autor tivesse à mão os modernos meios científicos de pesquisa. Se tivesse, ele produziria um texto ainda mais espetacular para dizer que Deus criou tudo.

Após ruidosos embates, nas últimas décadas a igreja cristã não vê contradição entre a fé na criação divida e a teoria da evolução, distanciando-seu conscientemente dos criacionistas. A teoria de Darwin é saudada como uma visão bem-fundamentada da vida sobre a Terra.

A fé em Deus e as ciências naturais, portanto, não se excluem. Antes, se complementam e devem dialogar entre si. A igreja deve combater uma corrente radical de naturalistas que contrapõem a teoria de Darwin como fundamento para uma nova forma de ateísmo, o que nem o próprio Darwin defendia. Ao mesmo tempo, deve opor-se aos que usam o relato da criação como única descrição aceitável da criação divina.

CLOVIS HORST LINDNER

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